Todo dia, um golpe novo na praça.

A criatividade é tamanha que, muitas vezes, temos uma divulgação de um golpe “novo” que se adianta a própria prática. “Cuidado com o golpe!” — que ainda não existe. Vem com um passo a passo muito bem trabalhado, explicado. Para o público, uma aula de prevenção. Para golpista, apenas aula.

E tudo é golpe!

Outro dia mesmo recebi uma ligação. Aliás, duas — do mesmo número. Na primeira, só ruídos de fundo. Uma televisão ligada. Algum noticiário no fundo. Enquanto eu insistentemente repetia “alô?” — em vão.

Desliguei.

Na segunda vez, voz ao fundo: “com quem eu falo?”. Suspeita corriqueira. Devolvi a pergunta. “Você que quer falar comigo e deve corresponder” — respondeu a voz. Palavra por palavra assim foi dito. “Quem está recebendo a ligação sou eu! Quem fala?” — comecei a me irritar.

Ficamos nesse rally.

Até que ele cedeu e disse “Você está falando com uma pessoa de Deus. Quero seu nome para orar por você”. Tive certeza de que era perda de tempo. Desliguei. Bloqueei o número.

Mas aquilo me desconcertou.

Por que não podia ser verdade? Meu instinto clamou “golpe”. Mas e se fosse apenas um “bom cristão”? Alguém que genuinamente quisesse orar por um desconhecido a serviço de Deus. Será que não existe mais ninguém tão altruísta?

Acho que não… tenho certeza de que era golpista.

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